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Entrevistas

Entrevista Publicada 07-05-2007

 


Em uma entrevista exclusiva à equipe do site CanalNoite.com.br, o humorista de fama Nacional, Francisco Jozenilton Veloso, mais conhecido como Shaolin, fala um pouco sobre a sua vida e carreira de uma forma levemente descontraída, para todos os internautas de Cajazeiras e região. Leia abaixo a entrevista:

CanalNoite: Francisco Jozenilton Veloso, esse é o seu nome, mas, de onde veio realmente o apelido Shaolin?

Shaolin: O olho puxado influenciou bastante o apelido, mas ele veio também por conta do Karatê que eu pratiquei entre os anos de 1985 à 1995, chegando inclusive a ser Karateca faixa verde Shotokan. Não consegui alcançar a faixa preta por não ter como pagar as mensalidades da academia, e saia frequentemente dos treinamentos. Por conta desses dois fatores, um dia alguém chegou e me chamou de Shaolin, e eu não gostei do apelido, e vocês sabem, quando não se gosta de apelido, a coisa pega pra valer.

CanalNoite: Antes de fazer humor, você chegou a trabalhar como chargista pra jornais locais da paraíba. Como ou quem o fez abandonar a profissão pra se dedicar ao humor dos palcos?

Shaolin: Eu realmente trabalhei com charges no Jornal “A Palavra” e no “Jornal da Paraíba”, foi aí que um amigo meu, Saulo Queiroz, dramaturgo, teatrólogo e diretor de peças teatrais na cidade de Campina Grande, chegou a mim propondo fazermos um show, já que eu tinha o costume de imitar pessoas de casa, amigos do Jornal em que trabalhava, eu aceitei a proposta, e estamos na luta até hoje.

CanalNoite: No princípio da sua carreira, lá em 1994, você se inspirou em algum humorista ou era baseado somente em imitações?

Shaolin: No inicio, foram sete anos de carreira amadora, mas minha carreira profissional veio no ano 2001, há seis anos, sendo que me inspiro até hoje no Jim Carrey, humorista e ator norte-americano, rei internacional das caras e bocas, por isso meu trabalho não se limita apenas a piadas, sendo composto em sua grande parte por expressões corporais e faciais, já que eu não me considero um bom piadista, mas me considero um ótimo caricaturista e um bom observador do cotidiano e das coisas que acontecem a cada momento. Talvez por isso meu show seja repleto de improvisos.

CanalNoite: Depois de Shaolin, hoje, quem são os melhores humoristas do país? E, quem seria seu ídolo no humor nacional?

Shaolin: Sem contar com as feras consagradas como Chico Anysio, José Vasconcelos, o grande nome do humor no país hoje se chama “João Cláudio”, Piauiense, grande imitador, ator e humorista, e que acima de tudo é um cara popular, acessível, e se não me engano, Secretário de Cultura lá no seu estado, além de ser um dos caras mais inteligentes nessa área. Nem Shaolin e nem qualquer outro humorista se compara a sensibilidade que ele tem pra compor seus personagens. Eu até diria que o maior nome do humor seria o “Espanta”, mas por uma fatalidade do destino, ele se foi, deixando essa lacuna aqui na terra.

CanalNoite: E hoje na Paraíba quem seria o grande nome do humor?

Shaolin: Com certeza absoluta, o nome mais forte do humor hoje e sempre na paraíba é o Nayron Barreto, conhecido popularmente por Zé Lezim. Eu sou um fã do humor dele, mesmo me considerando um pequeno aluno dele, hoje eu devo ser o 5º nome da Paraíba, ficando atrás do próprio Nayron Barreto, do meu querido amigo Cristovan Thadeu, do Piancó e do Márcio. Mas, com certeza o maior nome é o do Nayron, observando que ninguém conseguiu reproduzir um matuto com tanta riqueza de detalhes como ele.

CanalNoite: O que te dá mais saudades quando está longe de casa que você só encontra aqui na Paraíba?

Shaolin: Eu sinto saudades de tudo da Paraíba, desde a comida, a música, os amigos, minha família que mora aqui. Fora do meu Estado eu seria como o SuperMan exposto à Criptonyta.

CanalNoite: O que a cultura Paraibana tem de melhor na sua opinião?

Shaolin: A informática de Campina Grande que é uma coisa reconhecida internacionalmente, me deixando bastante orgulhoso por isso, temos a própria arte paraibana, o nosso querido Silvio Toledo, que é o desenhista de Walt Disney da série Alandin, temos o Algodão colorido da Embrapa. Em Campina Grande nós temos o maior São João do mundo, que dura consecutivos 30 dias, temos a Micarande, que hoje é uma das poucas micaretas que sobrevive com gás no Brasil. Posso citar ainda eu, o próprio Shaolin, que assim como Elba Ramalho, Zé Ramalho, Chico César, Ariano Suassuna, Ronaldo Cunha Lima, deverei ser lembrado no futuro como produto de exportação paraibana. E claro, no futebol, temos o Atlético de Cajazeiras.

CanalNoite: Você passou por muitas dificuldades pra chegar até onde chegou? Qual teria sido a maior adversidade que a vida lhe impôs até hoje?

Shaolin: Em cada entrevista eu digo uma coisa diferente, mas sempre ligado às mesmas dificuldades. Uma história que me deixou muito triste, foi quando na escola, uma professora na sala de aula, na hora de uma prova de química, me chamou: Francisco Jozenilton Veloso. Eu me levantei, pensando ser condecorado com alguma coisa, e fui, fui retirado da sala por não ter pago a mensalidade, e não pude fazer a prova. Hoje, eu vejo isso como uma passagem de alegria, porque hoje, com certeza eu não teria me saído tão bem com a Química como me saí com o humor.

CanalNoite: Como a maioria dos artistas de renome nacional, hoje você deve ser reconhecido em todos os lugares aonde chega, mas onde te dá maior satisfação, o reconhecimento do público paraibano ou de outros estados, ou ainda fora do país?

Shaolin: Olha, pela exposição de ser reconhecido fora do país é muito bom. Inclusive, eu vou fazer show lá nos E.U.A. numa casa de shows do Eddie Murphy, à convite de um amigo nosso em comum, o Roberto Trevisan, cantor e empresário nordestino bem reconhecido lá fora do país e um dos maiores empreiteiros dos E.U.A. Mas vejam bem, isso eu falo quando da exposição lá fora do país, que significa que sua carreira está sendo bem vista em outros lugares. Mas o reconhecimento na nossa terra é o melhor que pode acontecer, porque a gente só sai do nosso cantinho em busca de um crescimento, mas o que te marca mesmo é aquele lugar que é considerado seu lar, e ter seu trabalho reconhecido pelos seus conterrâneos é algo fabuloso.

CanalNoite: Pensa em ter um espaço só seu na televisão, já começou a pintar alguma proposta concreta?

Shaolin: Não, nesse tipo de trabalho tem que ser alguma coisa bem pensada, bem elaborada, eu já vi muita gente querer por querer um espaço seu na televisão e com isso “dar com a cara na parede”. Eu prefiro divulgar outros talentos, trabalhando e aprimorando eles, crescendo indivualmente, já que eu sou também artista plástico, trabalho inclusive com vários desenhos em grafite, desenho sobre tela, óleo sobre tela, acrílico, nanquim, aquarela, e outras técnicas que a gente vai inventando. Eu estou planejando agora em SP uma exposição que vai começar nos corredores da Rede Record, e se der certo, espalhar pra outros lugares. Eu sou um amante da arte, a adoro como expressão, e fora isso, ainda toco flauta transversal, quero também me aprimorar na área da música. E quem é desta maneira prefere aquela velha história de “Plantar uma arvore, escrever um livro e ter um filho”, vez que um programa consome muito o tempo de qualquer um; Eu sei bem o que o Tom Cavalcante sofre pra manter aquele programa bem elaborado para o seu público.

CanalNoite: Como você avalia a situação do humor no Brasil, em relação ao espaço dedicado a eles na mídia?

Shaolin: Eu acredito que da mesma forma que existe o horário eleitoral gratuito, dedicado àquele pessoal altamente despreparado, eu acho que deveria existir um projeto por parte do nosso legislador para que existisse o horário gratuito para o médico, o horário gratuito pro artista. No Brasil a televisão não dá o espaço correto àquilo que realmente é importante, já que a TV é uma consessão pública, ela deveria dar o espaço correto às pessoas certas, e não encher a cabeça dos telespectadores de lixo, mesmo eu me incluindo meio a esse lixo. Se não fosse o espaço cedido individualmente por vocês que fazem à comunicação, a gente ficaria totalmente perdido no quesito divulgação de trabalho.

CanalNoite: Uma vez eu lembro que vi você comentar que adorava imitar o poeta Ronaldo da Cunha lima, ele ainda é seu personagem favorito? E qual a satisfação que te dá imitar Heráclito Fortes? (Senador do Piauí)

Shaolin: Imitar o Heráclito dá um prazer danado, mas dá também uma baita dor na boca, vez que ele tem uma forma espetacular de falar. Eu não imito com maior freqüência o Heráclito porque o pessoal por esse Brasil afora ainda não tem costume de assistir a TV Senado e nem ouvir a voz do Brasil. Eu acredito que o Heráclito seja hoje um dos políticos mais atentos do Brasil, e uma pessoa excepcional. Quanto ao poeta Ronaldo, eu sou fã incondicional dele, continuo sendo, adorando imitar o poeta, tendo em vista que eu sou um admirador dele.

CanalNoite: Qual seu time do coração, e qual avaliação você faz do futebol paraibano neste momento?

Shaolin: Já fui torcedor fanático daquele Flamengo que não existe mais, composto por aqueles jogadores: Andrade, Adílio, Nunes, Raul Plasma, Zico. Hoje o futebol arte se foi, muita gente participa do “Futebol novo” com o intuito de arrancar dinheiro dos torcedores e fazer disso um comércio. Então, quando eu chego em uma cidade como Cajazeiras, que tem um time que ganha um título na bravura como eles fizeram, um time de pessoas desacreditadas por não comporem a elite do futebol brasileiro, mas que tem um enorme potencial e uma qualidade que não deixa a dever, que tem muito a batalhar e a crescer pela frente. E, quero que fique aqui registrado que eu disse ontem, do fundo do coração, que, apesar de ser de Campina Grande, eu estava torcendo para a vitória do Trovão Azul, que mostrou que com muita raça conseguiria vencer o Treze, nem que fosse como acabou sendo, por um placar apertado. Por isso meu time do coração hoje é a Paraíba, não me limito a um time especifico, mas a um povo como um todo.

Fonte: Equipe CanalNoite

Por: Júnior Bento e Laerte Lacerda